Está na moda gostar de Muse. Está na moda gostar de Kings of Leon. Está na moda gostar de U2. Está na moda gostar de The Killers. Está na moda gostar de Florence + The Machine. Está na moda gostar de muitas outras bandas que estão na moda mas que agora assim de repente não me lembro. Está na moda gostar de indie e está na moda (sempre esteve) gostar de reggae. Desculpem se eu não oiço nada disto (excepto o indie, e não é por uma questão de modas). Desculpem se os meus gostos musicais passam por outras bandas fora de moda, está bem? Desculpem, é que eu não gosto de modas.
Estou sem vontade para viver. Tu já não estás cá, comigo, e eu sinto a tua falta. Sinto falta das manhãs em que acordava cheia de vida e me vestia a pensar em ti. Abria o armário e escolhia a minha melhor roupa, já a pensar no elogio que me irias fazer, junto ao meu ouvido. Sinto falta de pegar no rímel e no lápis preto e maquilhar-me. Tu dizias sempre que a minha maquilhagem era demasiado carregada e escura para um rosto tão branco como o meu. Mas gostavas dos meus olhos delineados a negro, eu sei que gostavas. Sinto falta de usar os meus brincos preferidos, aqueles que tu me deste quando fizemos um mês de namoro, lembras-te? Duas imitações de pérolas brancas, compradas num chinês junto da tua casa. Sinto falta de tudo, e não só das manhãs mas também das tardes e das noites. Sinto a tua falta, e mais, sinto saudades de mim própria.
A casa. O cheiro a tabaco. A desarrumação. A sala. A mesa com cinzeiros cheios de cigarros. A casa dele. O sofá dele. O espaço dele. E o silêncio, o silencio perturbador. A televisão ligada. O cigarro aceso. O fumo a entranhar-se na minha roupa e no meu cabelo. Os telemóveis. Os nossos corações. A distância. A aproximação. A proximidade. Estar junto a ele. As mãos a tocarem-se levemente. A sua respiração no meu pescoço. Os olhos dele, os olhos dele azuis e brilhantes, pesados. E os beijos, os doces beijos. As minhas mãos por entre os seus cabelos rebeldes. A liberdade, o deixar-se levar. O tempo a passar. O abrir da porta. O penúltimo beijo. O silêncio, novamente. E o beijo de despedida. O vento frio. A rua deserta. O sentimento? Em mim. E a dúvida no ar.
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