E eu criei um sonho, uma fantasia, uma ilusão. Criei algo que julgava ser possível vir a concretizar-se. Fazias-me acreditar, fazias-me ter esperança. Então continuei. Já tu, criaste uma realidade. Colocaste os pontos nos is e abriste-me os olhos. Fizeste-me ver que este era um sonho só meu e que tu não fazias parte dele. Mas já foi tarde de mais. Porque eu via coisas onde elas não existiam, porque eu imaginava situações que pensava virem a existir. E de que valeu toda esta situação? De que valeu todo este jogo – sim, isto foi um jogo – no qual eu julgava haver vencedores? Agora diz-me, quem é que ficou a perder? Pode não parecer, mas foste tu, apenas tu.
A partir de hoje vou ser mais independente. Vou fazer o que me der na cabeça sem arrastar os outros comigo. Vou fazer o que sempre quis, mas que nunca fiz. Vou apreciar todos os pequenos momentos só meus. Não vou depender de ninguém, para nada. Vou lutar, vou alcançar, vou conseguir. Vou passear, apanha ar, vaguear talvez. Só sei que não vou precisar de mais ninguém para ser alguém. “E o que queres ser tu?” perguntam-me vocês. “Eu quero ser livre”.
"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode recomeçar agora e fazer um novo fim"
Amanha vai ser o meu primeiro dia de trabalho. Na praia. A lidar com pessoas resmungonas, com cães e crianças perdidas e com feridas, cortes e queimaduras solares. Vou precisar de muita dose de paciência e vou tentar não entrar em pânico assim que vir alguém com sangue a dirigir-se a mim. Ai, nem quero pensar no que me fui meter, ou isso ou ainda me dá um chlique e amanha nem ponho lá os pés.

Por este andar nem quero imaginar como é que vou estar quando acabar o Verão

Hoje destruí um coelhinho de chocolate que com tanto carinho guardava no meu armário desde a Páscoa. Eu bem tentei resistir – mesmo assim muito já resisti eu! – mas não consegui mais, foi desta. Ainda por cima era daqueles coelhos da Hussel, todos bonitinhos, com enfeites aqui e ali. Todos os dias, assim que abria o armário – porque no que toca a doces, tem de estar tudo muito bem escondidinho, senão vão desta para melhor – lá estava ele, a olhar para mim com aqueles olhos, quase como se dissesse “É hoje, é hoje que me vais dar uma trinca?” E eu acalmava-o e dizia-lhe “Tem calma amigo, ainda não chegou a tua vez”. O pior é que os outros tantos chocolates que estavam lá ao pé do coelho desapareciam á velocidade da luz. Um quadrado, dois quadrados... Lá se acabaram as tabletes de reserva. De manhã abri o armário – e acho que o coelho já pressentia que algo de mau ia acontecer – mas voltei a fechá-lo logo de seguida. Ao final da tarde dei outra espreitadela, ainda numa de "vai ou não vai?" Mas não resisti mais. Peguei no coelho e desfiz o laço que o embrulhava. Observei-o atentamente e, sem pensar em mais nada, arranquei aquilo que estava mais à mão. ‘Tadinho do coelho, até me meteu pena vê-lo sem orelhas. Que sacana que eu sou.

Concerto Jack Johnson

Foi há quanto tempo atrás? Há um ano. Sim, já passou um ano desde o grande, maravilhoso, fantástico concerto do Jack Jonhson. Aqui me confesso admiradora deste senhor, que cativa qualquer pessoa com aquela boa disposição e à vontade. E desenganem-se aqueles que pensam que os concertos dele são enfadonhos. Digo-vos, não são. Podem ser calminhos, muito softs, mas não são enfadonhos. E voltaria a ir a mais um concerto, e outro, e outro. Porque só quem lá esteve, no dia 26 de Junho de 2008, no Pavilhão Atlântico, é que sabe como é que foi, é que pode tirar as suas próprias conclusões. O que acontece é que vai-se para o concerto com uma ideia (errada) e sai-se de lá com uma nova ideia. Eu própria fui para lá numa de "vamos nessa, vai ser numa boa" e eram poucas as músicas que sabia de cor, mas enquanto presenciava aqueles momentos, era como se tudo se fluísse, como se eu soubesse tudo, como se eu já fosse sua admiradora há muito tempo. Realmente o que me deixou triste foi uma reportagem que vim a ler dias depois do concerto, da Blitz (podem ler aqui). Passando completamente em branco essa reportagem (que nem sei se pode ser considerada reportagem, essa sinceramente mete-me nojo e nem sei como é que existem jornalistas destes, isso ainda estou para descobrir), o que realmente interessa é que, aquela noite, vai ficar marcada. Desde a chegada até à saída do concerto, ficou tudo gravado. Valeu a pena todos aqueles longos minutos (mais precisamente cerca de duas horas) passados ao Sol (a trabalhar para o bronze), naquela fila que em pouco tempo se tornou grande. Valeu a pena chegar ao recinto e ocupar o primeiro lugar da fila, mesmo junto às grades. Valeu a pena ouvir aqueles dois cantores de abertura e que, de certa forma, animaram o concerto. E valeu a pena a noite, que por si só se tornou mágica, com a presença do Jack em palco, sempre a sorrir e a falar com o público. Se é simpático? Muito. Se canta bem ao vivo? Tal e qual como no cd, nem desafina. Se é boa pessoa? Não tenham dúvidas. A prova disso são todas as associações que ele apoia e promove na sua tour, relacionadas com o ambiente e a natureza. Boas vibrações foi algo que não faltou naquele concerto, muito ao género de peace&love. Porque o coração dele é assim mesmo.

Uma acção individual, multiplicada por milhões, gera uma mudança global - All At Once.